Agora você pode checar o tempo em Marte todos os dias

Os instrumentos a bordo do lander InSight, da NASA, estão agora coletando dados meteorológicos da superfície marciana, permitindo relatórios meteorológicos diários que estão sendo disponibilizados ao público.

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Os relatórios meteorológicos diários da região de Elysium Planitia começaram em 11 de fevereiro e contêm informações sobre temperatura do ar, velocidade do vento e pressão do ar, informa a NASA.

No dia de São Valentim, 14 de fevereiro, o aterrissador InSight detectou uma máxima de -16 ºC, uma mínima de -95 ºC, uma velocidade máxima do vento de 58,5 km/h e uma pressão média do ar de 721,7 pascals.

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Relatório meteorológico diário marciano de 11 a 17 de fevereiro de 2019. Imagem: NASA

A sonda InSight pousou perto do equador e está atualmente passando pelo inverno marciano — uma época em que as tempestades se tornam mais ativas. Notavelmente, a sonda já está captando dados meteorológicos para esse fim, como explicou em comunicado o astrônomo Don Banfield, da Universidade Cornell.

“Como o aterrissador está perto do equador, não pensei que veríamos alguma evidência das tempestades que estão a 60 graus de latitude norte, mas já estamos vendo evidências das ondas de sinais de alta e baixa pressão que criam o clima em Marte”, disse Banfield. “Podemos ver essas ondas bem abaixo, perto do equador, já que elas são grandes o suficiente para terem uma assinatura. Foi uma surpresa.”

Para coletar essas informações, a InSight é equipada com um conjunto de sensores desenvolvidos pelo Laboratório de Propulsão a Jato da NASA, pela Universidade Cornell e pelo Centro de Astrobiologia da Espanha.

Esses instrumentos, coletivamente conhecidos como Subsistema de Carga Útil Auxiliar (APSS), coletam dados a cada segundo de cada dia marciano (um dia marciano tem 24 horas, 39 minutos e 35,244 segundos). A InSight transmite esses dados de volta à Terra todos os dias, permitindo os relatórios meteorológicos diários. A sonda continuará com essa coleta de dados nos próximos dois anos, portanto, além das atualizações diárias, veremos um panorama geral em termos das variações de estação de Marte.

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Os instrumentos TWINS no lander InSight, um voltado para leste e outro para oeste. Imagem: NASA/JPL-Caltech

O APSS consiste em um sensor de pressão de ar no interior do lander, um par de sensores de temperatura do ar e de vento no deck (chamados de TWINS) e em um magnetômetro (o primeiro a atingir a superfície de outro planeta) localizado na extremidade do deck. Um dos sensores TWINS está virado para leste e outro para oeste. Esse instrumento informará à equipe do InSight se ventos fortes estão interferindo com o sismômetro do lander, conhecido como SEIS.

De fato, o APSS é bom para meteorologia planetária, mas também é crucial para o sucesso da missão InSight. Ao monitorar as condições ao redor da sonda, os cientistas da NASA saberão se o clima está interrompendo equipamentos sensíveis, como o SEIS e a sonda de fluxo de calor, ambos agora instalados na superfície marciana. Ambos os instrumentos são afetados por grandes oscilações de temperatura, e o SEIS é particularmente sensível às mudanças de pressão do ar e ao vento.

“O APSS vai nos ajudar a filtrar o ruído ambiental nos dados sísmicos e saber quando estamos vendo um terremoto marciano e quando não estamos”, disse Banfield em um comunicado da NASA. “Ao operar continuamente, também teremos uma visão mais detalhada do clima do que a maioria das missões de superfície, que normalmente coletam dados apenas intermitentemente ao longo de um dia marciano.”

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Concepção artística do lander InSight, da NASA, com seus instrumentos posicionados na superfície marciana. Imagem: NASA/JPL-Caltech

Como a NASA apontou, os TWINS também permitirão aos cientistas estudar a forma como os ventos movimentam a poeira em torno da superfície marciana:

Os cientistas não sabem quanto vento é preciso para levantar poeira na fina atmosfera de Marte, que afeta a formação de dunas e tempestades de poeira — incluindo tempestades de poeira que envolvem todo o planeta, como a que ocorreu no ano passado, efetivamente acabando com a missão do rover Opportunity.

O APSS também ajudará a equipe da missão a aprender sobre redemoinhos que deixaram marcas na superfície do planeta. Eles são basicamente redemoinhos de baixa pressão, então o sensor de pressão de ar da InSight pode detectar quando um deles está próximo. Ele é altamente sensível — dez vezes mais do que o equipamento nos landers Viking e Pathfinder —, permitindo que a equipe estude redemoinhos a dezenas de metros de distância.

Curiosamente — ou preocupantemente —, informações preliminares já sugerem que os redemoinhos são comuns na Elysium Planitia. Esses tornados de baixa pressão giram a quase 100 km/h.

“Eles sacodem o lander, e já vimos muito disso. Eles até inclinam o solo, (que nós sabemos) porque temos um sismômetro bastante sensível”, disse Banfield na declaração da NASA. “Na Terra, os redemoinhos do deserto provavelmente teriam 15 metros de diâmetro e quase um quilômetro de altura. Em Marte, eles podem ter de cinco a dez quilômetros de altura. Os grandes têm 100 ou mais metros de diâmetro.”

Isso é meio assustador. Um impacto direto de um redemoinho com tamanho e velocidade suficientes poderia não ser bom para a InSight e seus equipamentos sensíveis. Torcemos para que nada disso aconteça durante a missão.

[NASA, Universidade Cornell]

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