China acusa dois canadenses de espionagem depois de pedido de extradição de executiva da Huawei

O governo chinês acusou formalmente dois cidadãos canadenses, Michael Kovrig e Michael Spavor, de espionagem e roubo de “segredos de Estado”, segundo uma matéria do Washington Post. As acusações vêm na esteira de uma decisão de um tribunal canadense, feitas na sexta-feira (1º), de que uma executiva da Huawei acusada de fraude pode ser extraditada do Canadá para os Estados Unidos.

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“Os departamentos relevantes enfatizaram que a China é um país sob o império da lei e reprimirá resolutamente as atividades ilegais e criminosas que ameaçam seriamente a segurança nacional”, segundo um anúncio publicado pela Comissão Central de Assuntos Políticos e Jurídicos do Partido Comunista da China.

Os dois homens foram detidos em dezembro, menos de duas semanas depois que a CFO da Huawei, Meng Wanzhou, foi presa em Vancouver a pedido do governo dos EUA. Meng foi acusada de fraude e de violações de sanções dos EUA contra o Irã. Agora, ela enfrenta um processo de extradição para os EUA.

Em janeiro, o Departamento de Justiça dos EUA acusou a Huawei Technologies de fraude, obstrução da justiça e roubo de segredos comerciais da T-Mobile. Uma matéria do New York Times desta semana afirma que a Huawei planeja processar o governo dos EUA por bloquear o uso da tecnologia da empresa por agências federais.

Quem são os canadenses acusados de espionagem?

Spavor dirige uma organização chamada Paektu Cultural Exchange, que trabalha para incentivar tanto o investimento externo quanto o turismo ocidental na Coreia do Norte. Spavor é considerado amigável com o ditador norte-coreano Kim Jong-Un, o que torna as acusações contra o Spavor ainda mais estranhas. A Coreia do Norte é um aliado próximo do governo chinês.

Kovrig é um ex-diplomata da China e assessor de um grupo de especialistas em Bruxelas chamado International Crisis Group. O site do grupo tem um relógio que lista há quanto tempo Kovrig foi detido e pede sua libertação imediata. De acordo com fontes, ele está há 85 dias na prisão, em uma cela que fica com luzes acesas durante o dia inteiro.

“Estamos cientes da matéria da Xinhua de 4 de março, mas não ouvimos nada oficial sobre quaisquer acusações contra nosso colega Michael Kovrig”, Karim Lebhour, do International Crisis Group, disse ao Gizmodo por e-mail.

“O trabalho de Michael para o Crisis Group foi totalmente transparente e aberto, como todos que acompanham sua atuação podem atestar. Acusações vagas e infundadas contra ele são fracas e injustas.”

Prisões por todos os lados estão sendo feitas, tendo como o pano de fundo dos atritos entre EUA e China, com o Canadá no meio. Países ocidentais afirmam que a Huawei não deveria estar desenvolvendo redes 5G por causa dos laços estreitos da gigante de tecnologia com o governo chinês. Mas a Huawei está insistindo não apenas que é segura, mas também que os Estados Unidos também espionam seus próprios cidadãos.

Este problema não vai desaparecer tão cedo. E enquanto isso, qualquer americano ou canadense que esteja pensando em viajar para a China em um futuro próximo pode reconsiderar seus planos. A última coisa que alguém quer é se tornar um peão neste jogo de xadrez global.

[Washington Post]

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