Jovem artista paulista cria obras parecidas com as de Ron Mueck

Vendo as imagens você pode achar que se tratam das obras hiper-realistas e melancólicas de Ron Mueck, astista australiano famoso por suas esculturas que brincam com as escalas da forma humana, mas esse aqui é o trabalho de Giovanni Caramello, jovem de 24 anos morador de Santo André, região metropolitana de São Paulo.

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O Ron Mueck do ABC Paulista se dedicou ao desenho até o fim de ensino médio e a mãe dele, que também é artista plástica, servia de inspiração. O interesse por esculturas, no entanto, surgiu com o fim dos estudos: sem vontade de cursar alguma faculdade, começou a trabalhar com animações 3D e acreditou que um curso de esculturas o ajudaria com o trabalho. Foi aí que o curso deixou de apenas ajudar para se tornar o norte na carreira dele.

Caramello encontra certas dificuldades, especialmente para conseguir silicone, a matéria-prima usada para produzir as esculturas. Cada quilo do produto, explica o artista, custa em média R$ 300 — uma peça de Mueck pode pesar até 500 kg (!). Caramello, por sua vez, faz peças menores e usa silicone apenas nas cabeças; os corpos são feitos com materiais mais baratos, como a resina.

Giovani Caramello em frente as suas obras. Foto: Junior Lago/UOL

Giovanni Caramello em frente as suas obras. Foto: Junior Lago/UOL

Sozinho

“Sozinho” não é só o nome da primeira obra que Caramello criou — um jovem triste e aparentemente tímido, vestindo apenas calças e uma capa do Batman — mas também a maneira como ele aprendeu a criar: sozinho. Autodidata, o jovem aprendeu as técnicas com o auxílio de livros e DVDs no ateliê que montou em sua casa. “São mais de dez livros só de anatomia. Tenho que estudar bastante a parte óssea e a musculatura para saber como o corpo reage a cada movimento”, conta ao UOL.

Apesar de gastar horas testando e esculpindo os materiais, Caramello garante que o conceito mais importante de suas obras não é o físico, mas o poético. Ele explica que “Sozinho”, sua primeira obra, é sobre uma criança que está passando pelas transformações da adolescência. “É uma criança passando para a adolescência, que se sente triste e sozinha. Ele tem essa capa que simboliza a infância. Todas as obras que eu faço têm um lado mais poético, porque é isso que traz vida para a obra, mais que aparência”, conta.

Ele também dispensa a comparação com o artista australiano Ron Mueck, dizendo que ainda tem muito o que aprender para poder justiça à comparação. “É muita responsabilidade. Tenho que aprimorar modelagem, pintura e acabamento para chegar lá”.

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Mueck

O australiano Ron Mueck iniciou a carreira criando bonecos e animatronics para produções de TV da Austrália. O sucesso o levou até o Reino Unido, onde começou a produzir para agências de publicidade e produções cinematográficas — produzindo inclusive para o filme Labirinto, de David Bowie — mas foi só a partir de 1996 que a carreira de artista plástico começou a criar seus alicerces.

As obras de Ron Mueck estiveram pela primeira vez em exposição na América do Sul no ano passado. Primeiramente na Argentina, depois do Museu da Arte Moderna do Rio Janeiro e finalmente no Pinacoteca, em São Paulo, onde ficaram até o final do mês passado. Para quem perdeu e gostaria de conhecer o resultado de obras que usam técnicas parecidas, os oito trabalhos hiper-realistas de Giovanni Caramello estão expostos — e à venda — na Galeria Oma, em São Bernardo do Campo, na Rua Carlos Gomes, 69. A entrada é gratuita de segunda a sexta das 10h às 19h e aos sábados das 10h às 14h. [UOL]

Fotos: Junior Lago/UOL

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