O que a Jolla, criadora de alternativa ao Android, está fazendo para se manter viva

A Jolla, criadora de uma alternativa ao iOS e Android, deixou muita gente irritada. A empresa arrecadou US$ 2,5 milhões para um tablet que deveria ter sido lançado em 2015, mas disse este mês que “nem todos que apoiaram a campanha vão receber um tablet”.

Agora, a Jolla explica exatamente o que isso significa: algumas pessoas vão receber tablets; e outras, um reembolso – caso a situação financeira permita.

O atraso ocorreu devido a problemas na fabricação. Antti Saarnio, presidente da Jolla, explica no blog oficial:

…. logo após as campanhas do Indiegogo, nós encontramos os primeiros obstáculos: passamos por problemas graves com as entregas de componentes e com a qualidade da tela. Ainda assim… nós estávamos confiantes de que poderíamos começar as entregas de acordo com o cronograma revisado. E em outubro, nós lançamos o primeiro lote de tablets – 121 unidades – para garantir que a cadeia de logística e os pedidos funcionassem corretamente. Tudo correu bem.

Depois, nosso fornecedor teve seus próprios problemas e precisou mudar duas vezes de fábrica para a produção, o que por sua vez afetou o cronograma. Naturalmente, atrasos no projeto também têm um grave impacto sobre o orçamento; foi este ciclo de eventos que deixou o projeto em sérios apuros.

A situação piorou porque, em novembro, a Jolla não conseguiu garantir uma rodada de financiamento e teve que demitir boa parte de seus funcionários. No mês seguinte, ela conseguiu dinheiro, mas Saarnio explica que o atraso impediu que todos os tablets fossem fabricados: “o fornecedor não tem os componentes necessários, e muitos deles não estão mais disponíveis”.

Por isso, a Jolla vai fazer o seguinte: enviar 540 unidades a partir de fevereiro para quem apoiou a campanha do Indiegogo; e reembolsar as pessoas restantes. O reembolso inclui frete e acessórios, mas vai acontecer em duas partes: metade será feita até março, e a outra metade no segundo semestre, “se a nossa situação financeira permitir”. O Jolla Tablet custava entre US$ 189 e US$ 269.

E agora, como fica a empresa? Saarnio diz que o Sailfish OS continua a ser desenvolvido, e “vem recebendo interesse significativo” para ser licenciado. Um dos projetos anunciados publicamente é o Fairphone – sobre o qual falamos por aqui – e o executivo garante que “há muitas outras negociações em curso”. Em maio, a empresa disse estar trabalhando numa parceria com o governo da Rússia.

No entanto, Saarnio alerta que a Jolla ainda está “muito apertada financeiramente”, e vem negociando com credores para continuar na ativa.

É uma situação triste para uma alternativa promissora ao iOS e Android. O Sailfish OS tem interface baseada em gestos: você desliza a partir das bordas para acessar a gaveta de apps, ou para alternar entre apps. A tela inicial exibe apps na forma de widgets, com comandos para avançar/pausar músicas, por exemplo. Além disso, o sistema roda apps de Android.

Outros sistemas também passam por dificuldades. O Firefox OS deixou o mundo dos smartphones, e o Windows Phone vem sofrendo fortes quedas nas vendas.

[Jolla Blog]

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